Segundo dados da Conferência Nacional de Transportes, existem no Brasil mais de 1.700.000 Km de rodovias, das quais apenas pouco mais de 200.000 Km estão pavimentadas, representando cerca de 10% da malha. Além disso, o crescente carregamento imposto pelo tráfego de veículos tem levado ao aparecimento excessivo de patologias nos pavimentos de rodovias, como trincas e afundamentos na superfície. Assim, são necessárias novas tecnologias sustentáveis para a construção de estradas, diminuindo o impacto gerado durante a fase de execução das obras e pela extração de recursos naturais.
Um dos possíveis caminhos é a substituição dos agregados naturais, usados em concretos compactados com rolo, por agregados artificiais. Para isso, a escória de aciaria, rejeitos gerados durante produção do aço, é uma boa alternativa, devido às características e propriedades mecânicas do material. Em alguns países a técnica já é bem conhecida. Na Alemanha, há mais de 20 anos, foram realizados experimentos em rodovias pelo órgão público encarregado de obras de infraestrutura no país; na ocasião, as escórias da aciaria foram usadas como base e sub-base das estradas, sendo observado que a superfície rugosa e angular desse tipo de material fornece uma maior e melhor capacidade de suporte após a compactação. Também foi constatado no experimento alemão que chuvas fortes não influenciam a capacidade de suporte de aplicações.
No Brasil, uma recente pesquisa acadêmica aprofundou os experimentos, confirmando a viabilidade da escória de aciaria na construção de rodovias. O método de tratamento dos rejeitos proposto pelo estudo – de caráter magnético, mecânico e gravimétrico – produziu agregados estáveis e adequados para o uso em pavimentos rodoviários. Foi realizada uma análise química por fluorescência de raios-X e constatada a redução de teores de ferro, cálcio e magnésio e aumento dos teores de sílica, o que do ponto de vista do desempenho das matrizes de concreto compactado por rolo é bastante desejável. Os pavimentos desenvolvidos com escória de aciaria obtiveram resultados positivos em todos os quesitos investigados, entre eles, resistência à compressão, massa específica e absorção da água, comprovando que para a produção de concreto compactado por rolo é viável a substituição integral dos agregados naturais por aqueles provenientes dos rejeitos de aciaria.
O estudo completo, Pavimentos Sustentáveis, foi aprovado como dissertação de mestrado pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP). A autoria é de Rodrigo Vicente Toffolo com orientação de Ricardo Fiorotti Peixoto.