Os impactos socioambientais decorrem principalmente do crescimento desordenado da população que consequentemente diminuiu as áreas verdes provocando entre outros problemas, a degradação do solo, ocupação nas encostas, canalização e retificação dos canais fluviais, poluição da água e do solo e erosões aceleradas.
A modalidade de erosão acelerada ou antrópica caracteriza-se pela retirada das camadas superficiais dos solos, numa velocidade muito maior do que a natureza é capaz de reconstituí-las, de tal maneira que a consequência final pode ser a exposição da rocha matriz às intempéries.
Neste contexto, a metodologia geossistêmica contribui estruturalmente nos subsistemas, pois analisa a hierarquia espacial e ambiental, natural e social, de forma verticalizada. Este método discorre sobre os conceitos de paisagem e território, a partir do conhecimento histórico pautado no empoderamento da sociedade sobre os recursos naturais.
O desenvolvimento dos estudos geomorfológicos no Brasil é recente. A colaboração de cunho estruturado sobre o território brasileiro data do século XX, onde Aziz Nacib Ab’Saber contribui na evolução dos referidos estudos. Atualmente o conhecimento geomorfológico vem sendo aplicado como importante ferramenta no planejamento ambiental nas mais diversas regiões da superfície terrestre, com ênfase naquelas áreas com rápida expansão demográfica. Nesse sentido, a Geomorfologia como área do conhecimento que estuda o relevo, e seus respectivos processos endogenéticos e exogenéticos, vem contribuindo na temática ambiental.
Partindo-se dos conceitos de paisagem e território, podemos definir que as Unidades de Conservação – UC’s são sistemas apropriados para avaliação dos impactos socioambientais causados pela ação antrópica (erosão acelerada), pois seu uso inadequado acarreta riscos à estabilidade quantitativa e qualitativa de todo um sistema, sobretudo a água e o solo.
Em relação à Geomorfologia Ambiental e sua aplicação em unidades de conservação, o subsídio está, por exemplo, no zoneamento ambiental/planejamento ambiental, plano de manejo, recuperação de áreas degradadas, definição de trilhas e áreas a serem mais bem aproveitadas além de técnicas adequadas ao desenvolvimento do turismo ecológico.
No município de São Luís, foram criadas as seguintes UC’s de responsabilidade estadual: Área de Proteção Ambiental do Itapiracó, Parque Ecológico Estadual Lagoa da Jansen, Área de Proteção Ambiental do Maracanã, Estação Ecológica do Rangedor e o Parque Estadual do Bacanga.
No entanto apenas a criação da UC’s não garantirá a conservação e preservação é necessário que se tenha um bom manejo destes espaços. A exemplo, o Parque Estadual do Bacanga – PEB, desde a criação, em 1980 apresenta diversos problemas ambientais, acarretados principalmente pela urbanização desordenada. Entre os problemas encontrados no PEB, consta o asfaltamento em áreas de recargas dos mananciais subterrâneos, canais de esgoto lançados diretamente nos rios sem nenhum tratamento e a retirada da vegetação nativa ocasionando a degradação do solo. A degradação do solo constitui um dos tipos de degradação ambiental mais sério em nossos dias, e a erosão hídrica acelerada é a sua forma mais grave e perceptível.
Portanto, é necessário o respeito às normas ambientais voltadas à utilização desses recursos, bem como, o gerenciamento do espaço geográfico em busca do menor impacto possível.
As informações acima foram extraídas da dissertação de mestrado Impactos Socioambientais causados por processos erosivos em Unidades de Conservação: o caso do Parque Estadual do Bacanga, São Luís – MA, defendida por Marly Silva de Morais, no Programa de Pós Graduação em Geografia, Natureza e Dinâmica do Espaço da Universidade Estadual do Maranhão, sob orientação do professor José Fernando Rodrigues Bezerra.