Ao se lidar com escavadeiras, custos relacionados às peças de reposição devem ser considerados. Entre elas, estão as pontas de escavadeiras, expostas ao desgaste pelo contato direto com o solo. A função desempenhada pelo equipamento e as condições de trabalho influenciam na frequência de troca das peças. Em uma situação de manejo de rochas, por exemplo, o desgaste abrasivo, ou seja, por fricção, é acentuado e estima-se que a vida útil das pontas possa variar entre 50 e 300 horas, dependendo do tipo de material movimentado.
Imagem retirada da dissertação de mestrado

O desgaste diminui a produtividade de horas trabalhadas, pois, conforme as pontas são gastas e diminuem em comprimento, o poder de penetração no solo e de transporte de material é comprometido. Para retardar o desgaste, algumas técnicas são conhecidas, como o rodízio de pontas, isso é, a troca de posição das peças em uma mesma caçamba, já que em escavadeiras – e também em retroescavadeiras e pás carregadeiras -, as pontas localizadas nos cantos da caçamba sofrem maior abrasão se comparadas às situadas ao centro. A técnica do giro também é digna de nota e emprega a movimentação em 180° das pontas para otimizar o aproveitamento de cada peça.
Outro meio de preservar as pontas de escavadeiras é a soldagem de uma liga metálica sobre essas peças. Tal técnica tem como princípio o revestimento das pontas com material duro, podendo ser aplicado em peças novas ou desgastadas pelo uso. O tipo de liga metálica a ser empregado deve ser estudado ao se utilizar essa técnica, uma vez que cada material de reforço possui custos e objetivos específicos. Assim, ligas que têm cromo como o principal elemento exigem menores custos, apresentam boa usinabilidade e são mais empregadas para obter aumento moderado de resistência ao desgaste. Já as ligas à base de cobalto e à base de níquel são mais caras, sendo que as do primeiro tipo são as mais versáteis, pois, além da abrasão, resistem ao calor, à corrosão, impacto, descamação, oxidação, choque térmico e erosão.
Alguns estudos acadêmicos demonstraram que o revestimento duro em pontas de escavadeiras pode reduzir o custo de horas trabalhadas, além de prolongar a vida útil dessas peças. Mais detalhes estão na dissertação Desenvolvimento e Análise das Pontas de Escavadeiras de Grande Porte com e sem Revestimento de Material Duro, de autoria de Ernane Cunha de Lima, com orientação de Maria Celeste Costa e apresentada no Centro Federal de educação Tecnológica de Minas Gerais (CEFET-MG).